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[Fórum Blockmaster 2018] A privacidade e o Bitcoin

O mercado de blockchain e criptomoedas ainda tem desafios para superar a questão da privacidade

 

*Por Bianca Borges

 

A privacidade sempre foi uma questão muito discutida na sociedade. Quem não lembra do caso do ex-administrador de sistemas da CIA, Edward Snowden, que revelou a quebra da privacidade dos dados dos cidadãos americanos feita pelo próprio governo do país, ou mais recentemente, o vazamento de dados do Facebook pela Cambridge Analytica?  Muitos setores da economia debatem o tema, incluindo o mercado de blockchain e criptomoedas. Por essa razão, o Fórum Blockmaster 2018, convidou Fernando Ulrich, Analista-Chefe da XDEX, para abordar a questão.

Fernando Ulrich, Analista-Chefe da XDEX, fala sobre a privacidade e o Biticoin no Fórum Blockmaster 2018

 

Ulrich começou falando sobre o monitoramento de dados nas redes sociais e propôs uma reflexão:

“Hoje vivemos em um Big Brother, onde as grandes empresas de tecnologia também podem nos monitorar constantemente. O que é irônico é que nós nos voluntariamos a isso. Usamos Facebook, Instagram, compartilhamos textos, fotos e pensamentos. E isso tudo que está sendo compartilhado é monitorado. Eu não estou condenando isso, porque eu também utilizo as mídias sociais, mas quero que a gente reflita e entenda que nós colocamos nessa realidade voluntariamente”.

O Analista-Chefe também comentou que a ideia de privacidade no sistema financeiro não é tão nova quanto a maioria das pessoas pensam. Ele citou um documento “Blind Signatures for untraceable paymentes”, escrito por David Chaum, que já trazia a questão dos pagamentos não rastreáveis. Porém, esse sistema fracassou em termos de descentralização, visto que, era centralizado. Em compensação, Satoshi Nakamoto, criador do Bitcoin, teve êxito na questão da descentralização, mas não teve êxito na questão da privacidade.

Ulrich explicou:

“O Bitcoin faz com que as transações sejam públicas e, a princípio, não conseguimos identificar quem fez. Mas como essa criptomoeda é vinculada ao Blockchain existe a possibilidade de minar essa privacidade”.

 

A batalha da privacidade de dados

De acordo com o Analista-Chefe, o setor de comunicação está ganhando a luta a favor da privacidade de dados, inclusive, com a ajuda de grandes empresas de tecnologia. Em contra partida, o mercado financeiro ainda precisa se reformular em relação a isso.

Na área da comunicação, Ulrich mostrou alguns manifestos como a carta da Apple em oposição ao governo, dizendo que por mais que as intenções de monitorar a comunicação entre as pessoas tenha fundamentos positivos, isso não traria de fato benefícios para a sociedade.

Anterior a isso, o palestrante também citou o manifesto dos Cypherpunks que, segundo a definição dele, “eram sujeitos comuns, porém com princípios claros.”. No documento, os Cypherpunks declaravam: “A privacidade é necessária para uma sociedade aberta na era eletrônica. Privacidade não é segredo”.

Já em relação ao setor financeiro, o especialista destacou a fungibilidade como recurso essencial para manter a privacidade do dinheiro e dos criptoativos e explicou porque essa característica está ameaçada com Bitcoin.

 “É possível que em algum momento da história algum Bitcoin tenha sido usado para comprar itens ilícitos. Nesse caso, essa moeda vai ser marcada e não poderá mais ser usada. E esse processo fere a fungibilidade”, alertou.

Apesar dessa evidência, situações como essa ainda podem ser revertidas. Ulrich citou um caso em que o governo americano apreendeu alguns Bitcoins que foram utilizados para atos ilícitos e colocou a mercadoria em leilão, por entender que ela não era ilegal, apenas não foi utilizada devidamente.

No final da palestra, Ulrich ressaltou a importância de melhorar a fungibilidade do Bitcoin e de investir na concretização da privacidade financeira, levando-a tão a sério quanto a privacidade de dados nos meios de comunicação.

“Aperfeiçoar a fungibilidade do Bitcoin é essencial para a sobrevivência e funcionamento do sistema”, afirmou. “A questão da privacidade financeira deve ser requisitada com a mesma ênfase que a privacidade na comunicação. Vejam o exemplo da Apple que construiu um software e mecanismos que não permitem nem que a própria empresa intercepte mensagens”, finalizou Ulrich.

 

*Bianca Borges é jornalista formada pela Universidade Anhembi Morumbi. Analista de Conteúdo na Blockmaster e no Digitalks, também tem experiência nas áreas de assessoria de imprensa e gestão de mídias sociais. Gosta de escrever sobre diversos assuntos mas, atualmente, seu foco é o setor Digital.

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