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As diferenças entre Blockchain e Banco de Dados

Tem sido bastante comum as perguntas abaixo:

  • Blockchain é igual a banco de dados?
  • Por que usar uma plataforma Blockchain quando se tem Banco de Dados na organização?
  • Blockchain vai acabar com banco de dados?

 

Isso se deve a algumas afirmações que surgiram no mercado para tentar explicar a tecnologia e provocaram muitas confusões. Por exemplo, afirmar que blockchain é um banco de dados descentralizado. Afirmações como essa acabam atrapalhando muito no entendimento do que é de fato a plataforma e como ela pode ser útil para as organizações.

Neste artigo quero explicar estes pontos para evitar confusão que pode prejudicar o bom desenvolvimento de alguns projetos. Vou apresentar inicialmente CINCO pontos para explicar as diferenças envolvidas entre estas duas tecnologias e voltar as perguntas elencadas acima.

Comparando as duas tecnologias:

#1 – Dados e transações

Banco de dados guarda DADOS! Blockchain guarda TRANSAÇÕES!

Esta é uma diferença importante. Com banco de dados o que se armazena são dados e isso através das operações básicas INSERT, UPDATE e DELETE, com recursos avançados para consultas (QUERIES).

Contudo Blockchain armazena transações. Cada bloco armazena um conjunto de transações. Cada um desses blocos está encadeado com outros blocos. Numa forma conceitual, para resgatarmos uma determinada informação, precisaremos reconstruir todas as transações para chegar no estado atual. Isso ocorre com Bitcoin.

Com outras plataformas de blockchain existem formas para tornar o resgate da informação mais efetivo sem precisar reconstruir toda a lista de transações.

 

#2 – Participação

Banco de dados reside em UMA organização. Blockchain envolve VÁRIAS organizações.

Geralmente um banco de dados existe para atender as demandas de uma única organização. As suas funcionalidades foram construídas para prover um armazenamento seguro e confiável dos dados bem como disponibilidade total desse ambiente. São raríssimas as situações onde um banco de dados é compartilhado por mais de uma organização de forma replicada e sincronizada. Geralmente, a integração entre organizações envolve processos manuais (como planilhas e e-mails) ou automatizados (carga de dados via arquivos, serviços e APIs). Cada organização tem a sua própria realidade em termos de investimento, tecnologia, pessoas e processos o que faz com que essas abordagens sejam bastante comuns.

Com blockchain, o cenário é diferente. As transações acontecem e são compartilhadas em tempo próximo ao real entre as organizações participantes. Sua estrutura tecnológica foi criada para que essa sincronização e replicação aconteça de forma automática e de tal maneira que nenhum participante consiga modificar o registro dessas transações.

 

#3 – Ciclo de vida dos dados

Naturalmente um banco de dados guarda DADOS e eles podem ser alterados e excluídos durante a sua existência. O ciclo de vida da informação depende muito de como a estrutura foi modelada e de como as aplicações irão trabalhar com o conteúdo lá armazenada.

Blockchain registra transações. E esse registro é imutável. Em algumas plataformas para se saber qual a situação atual dos dados é necessária reconstruir todas as transações realizadas. Em outras existe uma local que permite recuperar o estado atual das informações.

 

#4 – Velocidade

Bancos de dados são rápidos. Blockchains tendem a ser mais lentos.

Bancos de dados são eficientes e existem dentro de um contexto organizacional. Ao longo de anos de pesquisas eles se tornaram extremamente rápidos e eficientes. Permitem a criação de índices e o uso de uma série de recursos para possibilitar o armazenamento e a recuperação dos dados.

Plataformas de Blockchain precisam replicar e sincronizar os dados entre os participantes de forma constante. Esse processo consome recursos computacionais e é mais lento que bancos de dados. Embora isso esteja sendo aprimorado, eles tendem a ser um pouco mais lentos para preservar outras características como segurança, imutabilidade e dar maior confiança a todos os participantes.

 

#5 – Replicação e sincronização

Os recursos de replicação e sincronização no banco de dados em geral são usados para promover escalabilidade e proteção das informações. Por exemplo, em caso de falha de um servidor, outro pode assumir para continuar os processos como se nada tivesse acontecido.

A replicação e sincronização numa Blockchain tem outro objetivo: efetivamente fazer com que todas as cópias contenham a mesma informação, agrupada em blocos criados ao longo do tempo, para então garantir que isso se torne imutável e incorruptível.

 

Respondendo às perguntas

No início do artigo citei três perguntas que pretendo responder:

Blockchain é igual a banco de dados?

Não. Costumo dizer que banco de dados guardam dados e que Blockchain é uma base de registro de transações.

 

Por que usar uma plataforma Blockchain quando se tem Banco de Dados na organização?

A questão principal envolvida nesta pergunta é a escolha da tecnologia mais apropriada para resolver um determinado problema. Bancos de dados foram concebidos para uso dentro de uma organização. Blockchain permite o uso compartilhado entre várias organizações. Sempre é bom lembrar: banco de dados se refere a dados; Blockchain se refere a transações.

 

Blockchain vai acabar com banco de dados?

Não. De novo, qual é a tecnologia correta para um determinado problema. Cada uma tem seu espaço. Numa Blockchain devem estar registradas transações de interesse de vários participantes externos entre si. Um banco de dados continua a ser a opção para guardar dados e informações de uso interno.

 

Conclusão

Espero ter contribuído na necessidade que temos de evitar a confusão Blockchain e banco de dados. Precisamos reforçar o papel de cada um e orientar corretamente as pessoas quanto ao uso adequado de cada tecnologia.
E você? Que outros aspectos gostaria de comentar sobre as diferenças envolvendo estas duas tecnologias?

Fernando Galdino

Arquiteto de Soluções para o Setor Público na Oracle, com formação em Ciência da Computação (Unicamp), Especialização em Administração de Empresas (FGV), Mestrado em Gestão de Projetos (Uninove) e Business and Executive Coach (IBC). Suas paixões: Blockchain; Criptomoedas; Internet das Coisas; Cidades Inteligentes, Governo Eletrônico e Indústria 4.0.

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