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Blockchain no Brasil: um raio-x da tecnologia no país de oportunidades

A BlockMaster entrevistou Bernardo Madeira, especialista em blockchain da Interchains, sobre a situação da tecnologia no Brasil, modelos de implementação e expectativas

 

Por Gabriel Dias*

A blockchain é uma tecnologia nova, mas com extremo potencial para revolucionar mercados e indústrias no mundo inteiro. No Brasil, não será diferente. Entusiastas e investidores estão animados com as possibilidades que a blockchain oferece e oferecerá nos próximos anos.

Um desses entusiasmados é Bernardo Madeira, especialista em blockchain corporativo da Interchains. A BlockMaster entrevistou Madeira, que revelou a situação da tecnologia em áreas já atuantes no Brasil, modelos de implementação e o que os consumidores brasileiros podem esperar das empresas em relação ao uso da blockchain. Confira a entrevista completa:

 

[Blockmaster] Quais áreas dispararam na frente em relação ao uso da blockchain no Brasil?

[Bernardo Madeira] No Brasil, existem algumas indústrias que estão mais ativas do que outras. Por exemplo, a indústria de transporte vê na estratégia de blockchain um grande valor para oferecer transparência em relação a tabela de fretes, integrar dispositivos nos veículos para oferecer maior acuracidade na entrega e diminuir a fraude de gasolina e despesas.

Também vemos um alto movimento nas indústrias de seguros para distribuição de risco em cosseguros, finanças para gestão de recebíveis e conciliação financeira. O setor de agronegócios para rastreabilidade de grãos e comercialização. Além da indústria de recicláveis e energia para garantir rastreabilidade na comercialização de commodities.

 

[B] Quais são os modelos de implementação da tecnologia desses setores?

[BM] Quando falamos de blockchain privado, também conhecido como permissionado, devemos entender que podemos transacionar vários tipos de ativos, não só valores monetários. Todo ativo pode ser comercializado. Os ativos (bens) podem ser tangíveis ou intangíveis. Um bem tangível pode ser uma casa, assim como um bem intangível pode ser a hipoteca dessa casa. Graças a essa flexibilidade que a plataforma permite, podemos implementar diferentes modelos para endereçar a demanda de diferentes problemas de negócio:

1) Blockchain para Supply Chain: este modelo traz vários benefícios em termos de rastreabilidade e auditabilidade de ativos. Dentro dos benefícios podemos quantificar o ganho em eficiência e velocidade de acompanhamento de ativos físicos oferecendo uma visão holística do estado da matéria prima. Participantes dentro dessa cadeia podem ser adicionados de maneira fácil e rápida, e o ativo pode ser consultado a qualquer momento para conhecer o estado e o histórico desde o início dentro da cadeia de suprimentos.

2) Blockchain para gestão e controle de processos: este é útil para gerenciar, automatizar e integrar processos dentro de sistemas onde a informação está espalhada em diferentes silos. Os ganhos em termos operacionais são expressos mediante a redução de tempo, risco e custo operacional do processo. Auditoria de processos é realizada de maneira imediata, reduzindo também custos deste serviço, aumentando ainda a transparência.

3) Blockchain para Tokenização: este modelo de implementação é bem diferente ao de Supply e BPM. Neste modelo, podemos integrar o mundo da rastreabilidade de ativos com o mundo econômico. Neste caso, geramos uma moeda, lastreada a uma commodity (produto ou serviço) que é válida dentro desse consórcio. Pense neste modelo como um programa de pontuação, diminuindo enormemente os custos de comercialização e intermediando as operações financeiras.

4) Blockchain para Identidade: este modelo é extremamente útil para resolver a problemática de LGPD dentro das empresas já que ele oferece criptografia para o perfil do usuário. O compartilhamento da informação é responsabilidade do proprietário, garantindo a privacidade da identidade.

5) Blockchain para IoT: este modelo é muito útil para gerenciar e administrar redes de IoT, oferecendo segurança na operação da rede, automação mediante smart contracts e integração para outras redes, como por exemplo supply chain.

 

[B] Qual é o potencial do uso da blockchain no Brasil?

[BM] No Brasil, vemos com grande potencial iniciativas de startups que estão transformando a forma de oferecer serviços e fazer negócios, já que enxergam na blockchain uma tendência disruptiva e inovadora que pode transformar a prestação dos seus serviços, aumentar a confiança, a produtividade e a eficiência dos processos. Um claro exemplo são as novas economias que o modelo de Tokenização vem a trazer, amarrando um token a um serviço dentro de um consórcio e dando a garantia da rastreabilidade do ativo sendo comercializado.

 

[B] Como está a legislação brasileira em relação ao uso da blockchain? O que está sendo discutido para os próximos anos?

[BM] Essa pergunta é extremamente relevante para fazer já a divisão de águas. Uma coisa são as criptomoedas como Bitcoin e outra coisa é a utilização da tecnologia de blockchain para gerar consórcios de intercâmbio de informação.

Em relação à Bitcoin, e tudo relacionado com ICOs, IEO, ISO, ITOs e cripto-ativos especulativos não lastreados, não consigo falar de maneira competente já que não nos dedicamos a este negócio.

Agora, em relação ao uso da tecnologia para conectar endpoints de participantes, onde esses participantes podem ser sistemas como ERPs, sistemas core, aplicações mobile etc, eu posso dizer: para transacionar dados corporativos, não existe nenhuma restrição ou agenda regulatória. Até porque blockchain não é mais do que a evolução do “web service”, que conecta 2 ou mais endpoints oferecendo segurança, alta disponibilidade, automação e rastreabilidade da informação. A agenda de blockchain, dentro deste ecossistema, é a de diminuir o risco, o custo e o tempo dos processos.

 

[B] O que o consumidor brasileiro pode esperar das empresas?

[BM] Para o consumidor brasileiro, blockchain é transparência. Aliás, até para nossos clientes corporativos, a blockchain é transparente. Projetos de blockchain, assim como qualquer outra tecnologia, não são implementados sem um valor concreto de negócio e uma arquitetura consistente visando a performance e escalabilidade operacional assim como funcional.

Tanto as empresas, quanto os consumidores não devem se preocupar com qual plataforma de blockchain [usar], qual versão ou como está configurado, essa é nossa especialidade. Mas podemos falar que, o consumidor, graças à implementação de projetos de blockchain, irá se ver diretamente beneficiado em relação ao aumento de segurança da sua informação, controle do que ele quer publicar e redução de preço das commodities que ele consome.

Blockchain vem com o objetivo de desintermediar e reduzir custos. Esses benefícios irão trazer uma maior margem de manobra em oferta de preços de produtos e serviços para o usuário final.

 

*Gabriel Dias é jornalista formado no Centro Universitário de Brasília – UniCEUB. Analista de Comunicação no grupo Digitalks, Gabriel também tem experiência nas áreas de jornalismo político. Trabalhou em agências de comunicação e na Câmara dos Deputados. Gosta de produzir conteúdos digitais e foca no Marketing Digital.

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