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Gerenciamento de resíduos: como São Paulo está reduzindo o desperdício com tecnologia

São Paulo

Mais de dois bilhões de toneladas de lixo são geradas em todo o mundo a cada ano – e descartar todos esses resíduos é um enorme desafio. No Brasil, por exemplo, 41,3% de todo o lixo é descartado de maneira inadequada, o que tem um enorme impacto na saúde pública e no meio ambiente.

São Paulo – uma das maiores metrópoles do mundo, com 12,5 milhões de habitantes e mais de 665.000 empresas registradas – gera 20.000 toneladas de resíduos por dia, representando 8% de todo o lixo no Brasil. Em abril de 2019, a cidade promulgou uma lei para direcionar suas políticas de gerenciamento de resíduos usando dados sobre gerenciamento de resíduos públicos e privados.

 

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Imagem: Banco Mundial / Bloomberg

 

A lei exige que todas as empresas e edifícios do município declarem os resíduos que geram e quem contratam para transportar, tratar e descartar. Juntamente com os dados sobre água, energia e espaço usado na gestão de resíduos, bem como o número de funcionários e colaboradores – é então analisado e disponibilizado publicamente com a ajuda do software blockchain fornecido gratuitamente por uma startup local.

O programa – chamado CTR-E RGG (Controle Eletrônico de Transporte de Resíduos de Geradores) – deve reduzir o envio de resíduos para aterros em 18% e economizar até US $ 30 milhões anualmente, além de criar oportunidades para empresas privadas de gerenciamento de resíduos.

E está funcionando. Antes do programa, apenas 3% dos resíduos de São Paulo eram reciclados, enquanto apenas 16.000 empresas estavam registradas na agência ambiental da cidade e menos de 6.000 das 347.696 empresas de conhecimento anteriores da cidade contrataram um gerente especializado para o transporte, tratamento e disposição de seus resíduos. Nos primeiros 90 dias da lei, esse número saltou para 665.000 empresas registradas no órgão ambiental e 35.000 empresas agora têm 30 dias para contratar uma empresa privada para coletar seus resíduos. Antes da lei, havia 80 empresas licenciadas de gerenciamento e transporte de resíduos; agora, mais de 500 empresas sem licença estão buscando autorizações, licenças e outras qualificações necessárias.

 

 

Com a ajuda da tecnologia – software, aplicativos para smartphone, códigos QR em contêineres, lixeiras e caminhões – as autoridades e empresas públicas de São Paulo conseguem localizar, integrar e compartilhar mais de 100 soluções diferentes de tratamento de resíduos. Mais lixo está sendo reciclado e reutilizado. E tudo isso foi alcançado sem que uma única multa fosse emitida nos três primeiros meses.

O próximo objetivo é incluir os municípios da cidade de São Paulo, que, juntamente com a capital do estado, geram 15% de todo o lixo gerado no Brasil. De fato, se a Grande São Paulo fosse um país, seria a 55ª mais populosa do mundo, com 21,5 milhões de habitantes em uma área de 7.946,84 m2. Isso mostra como uma solução desse tipo – legislação, tecnologia e aplicação – pode ser dimensionada para resolver o problema mundial de resíduos.

Os resíduos continuarão a existir – e continuarão a ter um impacto no meio ambiente e na sociedade. Mas, embora possa ser difícil para a sociedade acompanhar os avanços tecnológicos, o exemplo de São Paulo mostra que os avanços tecnológicos, combinados com a legislação e o compromisso, podem nos ajudar a acompanhar os desafios globais como o desperdício. Isso também mostra como a tecnologia blockchain pode ser aplicada para resolver problemas em vários mercados diferentes.

Chicko Sousa

é Fundador, PlataformaVerde, Pioneiro em Tecnologia do Fórum Econômico Mundial.

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