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Blockchain: uma nova abordagem da cadeia de suprimentos

Blockchain pode garantir a troca de dados de forma eficaz, transparente e segura na Supply Chain

 

O termo Supply Chain surgiu em meados de 1990, com a globalização da manufatura e, principalmente, com o crescimento da industrialização na China. Neste período, o setor logístico sofreu seu primeiro boom tecnológico impulsionado pelo surgimento de sistemas ERP (Enterprise Resource Planning), que permitem a integração de todos os dados e processos de uma organização – até então isolados.

A utilização em grande escala dos ERPs aumentou drasticamente a necessidade de um melhor planejamento e integração entre as áreas das corporações. Tanto que cerca de 10 anos depois, o setor passou a adotar o EDI (Electronic Data Interchange), tecnologia que permite uma comunicação padronizada entre diferentes empresas. O objetivo era viabilizar o compartilhamento de documentos fiscais de forma eletrônica, impulsionando a automatização dos processos comerciais e o aprimoramento da comunicação – até então feita por fax, correio ou e-mail. E, embora essa tecnologia não permita uma comunicação em tempo real, é fundamental para os processos logísticos de embarcadores e transportadores.

Diante desse histórico, podemos afirmar que o setor tem uma clara necessidade de ferramentas tecnológicas para garantir a troca de dados de forma eficaz, transparente e segura. E, neste contexto, qual poderia ser a tecnologia mais disruptiva para o futuro do Supply Chain?

Uma das possíveis respostas é o blockchain. A tecnologia pode funcionar como uma espinha dorsal para a digitalização da cadeia de suprimentos, pois possibilita a interoperabilidade e a rastreabilidade por meio de ambientes amigáveis e customizáveis conforme a necessidade das empresas envolvidas no processo. Muito além um intercâmbio de dados eletrônicos, com o blockchain é possível unir, em um único local, transparência, credibilidade, agilidade e eficiência.

Isso porque, a tecnologia permite o registro de todos os dados e informações de um produto, desde sua origem até o seu destino, bem como detalhes do processo de produção. No caso da carne de boi, estariam registrados na tecnologia o local de criação do gado, o transporte para o frigorífico, a forma como foi abatido e armazenado, detalhes do transporte para o supermercado e, até mesmo, a temperatura em que está armazenado no estabelecimento comercial.

A agilidade trazida pela facilidade de compartilhamento de dados em tempo real permite a integração completa de todos os elos, simplificando a tomada de decisão com base em informações de outras etapas do processo de produção e, até mesmo, de outras empresas da cadeia. Além disso, possibilita a validação das transações por cada uma das partes envolvidas antes de registrá-las. E, embora isso possa representar um risco às informações, outra característica importante do blockchain – a imutabilidade dos dados – garante a segurança de acesso a eles e os protege de ataques de hackers.

Outro uso importante do blockchain são os smart contracts (contratos inteligentes), acordos que podem ser fechados de forma automática quando condições pré-determinadas são cumpridas. E, tudo isso, verificado digitalmente e rapidamente por meio de máquinas ou pessoas. Um ótimo exemplo de uso dos Smart Contracts na cadeia de suprimentos é a etapa de compras de insumos. Eles permitem a automatização do processo com base em informações de estoque e produção futura, reduzindo a probabilidade de uma compra sem demanda – uma importante disrupção neste processo tão manual.

E, tendo em vista a relevância do Supply Chain nas organizações, acredito que o blockchain pode ser o facilitador de um planejamento simbiótico entre duas ou mais empresas da cadeia. A tecnologia possibilitaria também que CFOs de diferentes organizações planejem juntos a melhor estrutura de capital de giro para otimizar os fluxos de caixa e margens das suas empresas. Além disso, os COOs poderão facilmente planejar investimentos compartilhados ou otimização de ativos de suas empresas.

O blockchain é o segredo para digitalizar totalmente esse setor e tornar as informações mais confiáveis e os processos mais seguros. Com o uso da tecnologia, esses e muitos outros processos poderão ser realizados de forma mais rápida, mensurável e conforme o interesse e confidencialidade das partes envolvidas. E, a partir do momento em que todas as organizações de uma cadeia de suprimentos – desde os fornecedores de insumos até o distribuidor – tiverem acesso às mesmas informações e tomarem decisões integradas, haverá um aprimoramento do processo completo e maior eficiência e competitividade das empresas.

Luigi Filippozz

Consultor do segmento de logística na empresa Logicalis, desde 2017, Filippozzi atua personalizando soluções de IoT, big data, analytics e omnichannel para resolver problemas de entrega, rastreamento e transporte de mercadorias, seja em empresas do setor ou processos logísticos em organizações de outros segmentos. Especialista em logística, o executivo já estruturou cadeias de suprimentos inteiras para otimizar a gestão e a eficiência do processo em várias companhias, como grandes montadoras, por exemplo.

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