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Blockchain como governança de trabalho

Olá! Primeiramente quero dizer que é com muito orgulho que escrevo esse artigo. Nós, da GoBlockchain, criamos nosso primeiro projeto externo de forma totalmente descentralizada e distribuída e vamos compartilhar um pouco dessa experiência com vocês.

Mas o que isso quer dizer?

A primeira coisa que você tem que entender é o que é a GoBlockhain. Nós somos uma organização descentralizada, que cria, ensina e desenvolve projetos em blockchain.

Mas não somos uma “empresa de consultoria tradicional”. Nós somos uma DAO. Como uma DAO, não temos uma estrutura hierárquica, não temos chefe, não temos que reportar nada a um CEO, gerente, etc. Somos livres, descentralizados, onde temos a opção de realizar as tarefas que quisermos e sermos recompensados exatamente pelo o que fizemos. Se fizermos muitas tarefas, recebemos mais e se fizermos poucas, tudo bem também, ninguém vai te cobrar nada. O legal disso é que o conceito de meritocracia é bem transparente e aplicada de forma efetiva.

Para explicar melhor como funciona, vou falar sobre nosso primeiro projeto externo, que foi para uma imobiliária. O pedido do cliente, foi que fizéssemos um estudo sobre o mercado imobiliário utilizando blockchain, pensando no que podemos criar para mudar esse setor utilizando a tecnologia.

O primeiro passo foi buscar colaboradores que tinham interesse em participar. As pessoas não precisavam ter uma especialização na tecnologia ou em qualquer outra área. Dessa forma, todos tinham oportunidade iguais. No inicio do projeto, decidimos trabalhar com a metodologia ágil. Após encontrar os interessados, por meio de votação, escolhemos uma pessoa para ser uma espécie de PO (product owner). Essa pessoa ficaria responsável por criar as tarefas em um trello e liderar a planning e o review, porém, ela também poderia atuar nas tarefas.

Durante a sprint, qualquer colaborador poderia escolher uma tarefa e realiza-la. Ninguém era pré escolhido para realizar a tarefa, o colaborador simplesmente utiliza o trello, escolhe uma tarefa, assina com seu nome para que todos saibam que ele é responsável por ela a e que está trabalhando em cima dela. Após finalizada, o colaborador muda o status para “validação” onde o “PO” verifica se a tarefa foi realizada. Se a tarefa foi realizada com sucesso, ele pode começar uma nova tarefa. O importante é sempre finalizar a tarefa até a sprint review. Apesar de não haver um superior, o colaborador deve ter comprometimento e responsabilidade, caso contrário, pode afetar a reputação dele dentro da plataforma.

 

Reputação e meritocracia transparente

Dentro da plataforma da Goblockchain, cada colaborador tem uma reputação, que é basicamente uma avaliação dada por outros colaboradores sobre o seu trabalho e comprometimento. Se o colaborador começa um projeto e abandona ou caso ele não tenha comprometimento com as tarefas, no final do projeto, ele pode ter sua reputação comprometida. Essa reputação pode impedir que ele participe de novos projetos, pois os colaboradores já não confiam mais nele. Além disso, ele pode ser afetado financeiramente, no momento de receber a sua recompensa pelo projeto.

 

Recompensa

A recompensa nesse modelo é bem transparente e justo. O colaborador recebe exatamente pelo o que ele trabalha. Como fazemos pra ser justo? No inicio de cada planning ou no final do projeto, votamos com uma pontuação (utilizando a sequência fibonacci) para definir a dificuldade de cada tarefa. Quem finalizou aquela tarefa, ganha em pontos o valor dessa dificuldade pré definida. Exemplo: se uma tarefa foi grande e pontuada como nivel 21, o colaborador ganha 21 pontos caso finalize ela. A recompensa é garantida via contratos inteligentes.

Ao fim do projeto, o colaborador recebe proporcionalmente ao que ele pontuou. Logo, se ele tem muitos pontos, ele ganha muito. O valor em dinheiro é proporcionalmente dividido entre todos os colaboradores conforme sua pontuação.

Voltando ao projeto da imobiliária, com muito orgulho, nós criamos o projeto nesse formato e o feedback dos colaboradores não poderiam ser melhor. Todos ficaram muito satisfeitos, pois trabalhavam na hora que fosse mais comoda para cada um, seja de manhã ou de madrugada, o importante, é realizar a tarefa, com comprometimento. Outro ponto é não ter cobranças e o fato de recebermos conforme nosso trabalho, faz com que as pessoas sejam mais pró ativas e motivadas.

 

Depoimentos dos colaboradores

Abaixo, deixei os depoimentos dos colaboradores sobre como é trabalhar nesse formato e o que esperar das empresas do futuro utilizando blockchain.

A minha experiência nesse formato foi fantástica. Eu fazia as tarefas à noite, quando eu me sentia mais confortável e havia tempo, pois tenho outras ocupações durante o dia. O fato de não haver cobrança também é incrível, tenho liberdade pra realizar as tarefas no meu tempo e o melhor, recebo exatamente pelo o que trabalhei. O que penso sobre o modelo de organizações no futuro é que todos mudem seus mindset e utilizem uma estrutura mais descentralizada e justa. Com esse modelo, a meritocracia funciona, já que minha reputação só depende de mim e não de um superior avaliar meu trabalho, o que nem sempre é justo dentro de uma empresa tradicional.” —Renan Pitz.

“Participar de um projeto colaborativo foi uma experiência muito boa, pude entender que ser colaborativo não é sinônimo de trabalhar de graça. Que na verdade é algo que podemos ganhar dinheiro mas de forma transparentes, onde cada pessoa recebe exatamente aquilo que ela se esforçou para criar. Não existem aquele incomodo que existem nas empresas convencionais onde as vezes sentimos que trabalhamos mais que nosso amigos do lado e ganhamos menos. O quanto vamos receber no final do projeto só depende do quanto eu colaborei.
Além disso é possível entregar trabalhos de excelente qualidade, pois cada colaborador do projeto se esforça ao máximo para conquistar a maior quantidade de pontos possíveis e dessa forma o cliente acaba recebendo um projeto que foi muito estudando, testado, discutido e avaliado entre todos.” — 
Henrique Leite

“Gostei bastante de aprender e colaborar com o time. É interessante trabalhar com flexibilidade e ser recompensado exatamente pelo que você faz com total consenso e transparência. Nós fazemos o que acreditamos!” — Luciane De Medeiros

 

Projeto é escalável a nível mundial

Um ponto positivo em trabalhar nesse modelo é o projeto poder ser facilmente escalável, pois dessa forma, um colaborador pode estar em São Paulo da mesma forma que pode ser um chinês trabalhando da China. O interessante de ser escalável em nível mundial, é que fica fácil encontrar pessoas especialistas em certos assuntos e a liberdade de poder trabalhar em um co-work no Rio de Janeiro ou em uma praia na Tailândia. Então, o projeto pode ser realizado em nível mundial, totalmente distribuído, e tudo funciona da mesma forma como expliquei acima.

 

O que muda para o cliente

Para o cliente, nada afetou. Inclusive, nossa entrega foi muito elogiada por ele. Sobre a forma como trabalhamos, o cliente se quer sabia que funcionávamos com esse modelo, para ele, foi totalmente transparente. E de verdade, isso não importa para ele, o que cliente espera é pagar por um projeto e ter o retorno conforme o planejado e com qualidade.

 

Conclusão

No final, todos saíram satisfeitos com o projeto. O cliente, recebeu o que solicitou, com qualidade. Os colaboradores, receberão pelas suas atividades realizadas, realizaram um projeto em suas horas vagas, sem cobrança, pressão e sem ter o compromisso de ter que estar fisicamente em algum local onde provavelmente sofreria com transito e sem o estresse do ambiente que há em muitos escritórios.

Resumindo, todos sairão felizes e satisfeitos.

Esperamos que esse modelo seja um modelo aplicado em mais empresas, pensando na qualidade de vida dos colaboradores, de forma justa, transparente e meritocrata.

Renan Pitz Alves

Com experiência em grandes empresas como Enel, Accenture, Red Hat e no exterior, Renan atualmente é Sysadmin e devops na PagSeguro. Especialista em blockchain, tem dedicado seu tempo livre para se aprofundar na arquitetura e entender como ela pode trazer benefícios para a sociedade. Co-fundador da Go Blockchain, está engajado como colaborador da plataforma.

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